segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MORADOR DO PINHEIRINHO ESPANCADO POR PM'S ESTÁ EM COMA NA UTI


Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:

Localizada mais uma vítima da violência policial na reintegração de posse do Pinheirinho, ocorrida no dia 22 de janeiro.
É o aposentado Ivo Teles dos Santos, 69 anos (14/02/1942), natural de Ilhéus (BA), RG 27106829-2, que morava sozinho no Pinheirinho, numa região chamada Cracolândia.
Ele  está em coma,  entubado, na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, desde o dia 22 de janeiro.
“O senhor Ivo foi espancado por policiais militares no dia da reintegração de posse”, denuncia Renato Simões, conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), onde representa o movimento nacional de direitos humanos. “Várias testemunhas viram-no  ser espancado, depois ser levado para dentro do Pinheirinho.”
Neste sábado à tarde, 4 de fevereiro, Renato Simões, o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) e Antonio Donizete Ferreira, conhecido como Toninho e um dos advogados dos ex-moradores do Pinheirinho, estiveram na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, onde comprovaram que Ivo está lá mesmo.
Eles, o defensor público Jairo Salvador, os vereadores Amelia Naomi e Tonhão Dutra  e Aristeu Neto, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-São José dos Campos,  conversaram com dona Osorina Ferreira de Souza (na foto abaixo, de vestido rosa, bolsa cinza) com quem o aposentado viveu durante muitos anos. Ela também morava no Pinheirinho.
“A dona Osorina desmaiou no dia da desocupação, foi parar no pronto-socorro”, prossegue Simões. “Só no dia 23, quando foi levada para um dos abrigos da Prefeitura, ela soube que o ex-companheiro tinha sido espancado. Como é muito doente, não teve condições de procurá-lo. Outro ex-morador do Pinheirinho tentou fazer isso por ela, mas não obteve sucesso.”
No dia 27 de janeiro, ele foi incluído na lista dos desaparecidos. Mas, apenas nessa sexta-feira, 3 de fevereiro, depois de peregrinar por diversos lugares, dona Osorina descobriu o paradeiro do ex-companheiro. Como é sua procuradora, foi ao posto da Previdência Social na cidade. Lá foi orientada a procurar o Hospital Municipal da cidade, onde finalmente o encontrou.
“Por volta das 16 h deste sábado, nós pedimos ao hospital o Boletim de Atendimento de Urgência (BAU), que é onde está relatado como Ivo chegou lá, a direção nos negou”, revela Simões. “Disse que só sob ordem judicial.”
Depois de quase três horas de canseira – mais exatamente às 18h50 – o hospital entregou apenas um relatório assinado pelo médico de plantão, doutor Luis Carlos Nacácio e Silva, CRM 70-867. O relatório (imagem abaixo) informa que o senhor Ivo teria dado entrada no hospital no dia 22 de janeiro, às 18h30, com “quadro confusional e  crise hipertensiva”; a “tomografia de crânio evidenciou AVCH (acidente vascular cerebral hemorrágico)”.
“Nós não aceitamos esse relatório, queremos o BAU, que descreve as agressões sofridas  pelo ex-morador do Pinheirinho”, avisa Simões. “No final da tarde, um policial entrou na UTI, perguntando pelo prontuário do Ivo.”
Neste sábado, integrantes do Condepe, da Defensoria Pública do Estado, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-São de José, o deputado Adriano Diogo (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa) e os vereadores Tonhão Dutra, Amélia Naomi e  Wagner Balieiro ficaram horas no hospital.  Eles exigem que o seu administrador, Marcelo Guerra, entregue o BAU.
A recusa do Hospital Municipal, administrado pela OSs SPDM, foi justificada como interferência direta de Danilo Stanzanni,  Secretário da Saúde de São José.
Caso a sonegação de informações permaneça, as entidades e parlamentares irão registrar boletim de ocorrência na polícia local. A reportagem abaixo, publicada no O Vale, no dia 23 de janeiro, irá junto.
Será que o doutor Nicácio e Silva depois de ler essa matéria de O Vale manteria o seu relatório?
Será que ele sabia  que o paciente  foi hospitalizado com traumatismos?
Por que não fez qualquer menção no relatório, já que descreve o quadro do aposentado ao dar entrada na emergência?
Supondo que, coincidentemente, o senhor Ivo tenha tido também um AVCH, por que “ignorar” os machucados no relatório, afinal compõem o quadro completo do doente?
Até que ponto a violência sofrida  não contribuiu para elevar a pressão arterial do senhor Ivo, favorecendo o acidente vascular cerebral? A hipertensão arterial é um fatores de risco para AVC e ele era hipertenso.
Se não há nada esconder, por que o secretário da Saúde de São José dos Campos interferiu para que o BAU não fosse fornecido à comissão de entidades e parlamentares que o estão requisitando?
Será que o doutor Nicácio deixaria de reportar os traumatismos do senhor Ivo se fosse chamado a prestar esclarecimentos no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)?

PARA MEUS POUCOS LEITORES

Estou impossibilitado, no momento, de sentar e me concentrar para escrever alguma coisa para este blog. Espero que semana que vem tudo se resolva. Estou fazendo algumas leituras para textos novos. Enquanto isso, vou postando artigos dos meus companheiros. Suas palavras são endossadas por mim e ajudam para que esta página não fique parada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ESTRATÉGIA POLÍTICA DE DILMA


Por Luís Nassif:

Nas últimas semanas, povoaram os jornais análises sobre o atual momento político. Foi quase uma consagração a posteriori (pelos jornais) da habilidade política de Lula, reconhecida em matérias no Estadão, Folha.

Mas se Lula foi uma espécie de Pelé da política brasileira contemporânea, Dilma Rousseff tem se revelado um Coutinho.

Para se entender a sinuca de bico da atual oposição, é necessário um mergulho no Brasil pós-Sarney.

As ideias políticas, no país, quase sempre acompanharam com alguma defasagem as grandes ondas internacionais.

A Constituição de 1988 foi o grande documento a sinalizar os novos valores que acompanhariam o país nos anos seguintes.

Uma das ideias-força era da descentralização, revertendo o pesado espólio do regime militar.

Outra ideia-força foi a questão da cidadania, das políticas sociais, da universalização dos direitos civis, do renascimento da sociedade civil.

FHC empunhou a bandeira da modernização. Jogou-a fora na crise do câmbio em 1999 e no “apagão”. Deixou de lado a bandeira da cidadania, que acabou assumida por Lula. Na década que marcou o ressurgimento da sociedade civil brasileira, o PSDB fugiu do povo.

Beneficiado pela explosão dos preços internacionais de commodities, Lula conseguiu atender a todos os setores da economia e deixar de herança a explosão do mercado de consumo de massa. Trouxe o PT para perto do centro e tornou-o o primeiro partido socialdemocrata brasileiro no estilo europeu – porque casando bandeiras sociais com alianças econômicas e, principalmente, com participação popular através dos sindicatos e movimentos sociais. Tirou do PSDB sua bandeira.

Sem bandeira, restou à oposição o discurso da negação: apontar as vulnerabilidade do governo Lula. A partir daí poderia juntar os cacos e se preparar para as próximas eleições, desde que conseguisse mostrar o contraponto na sua principal vitrine: São Paulo.

Aí entra a habilidade de Dilma:

Gestão. Há anos aponta-se a ineficiência do Estado e exige-se melhoria na gestão. O governo Dilma instituiu a Câmara de Gestão, definiu maneiras gerenciais de trabalhar o PPA (Plano Plurianual), montou sistemas de monitoramento online nos ministérios e conseguiu a consultoria da maior bandeira brasileira de gestão, o empresário Jorge Gerdau. Com exceção de Minas, nenhum outro estado tucano conseguiu implementar práticas gerenciais modernas.

Aparelhamento da máquina. Ponto mais sensível das críticas a Lula. No primeiro ano do governo Dilma, sete ministros caíram e a força política que herdou do seu padrinho tem permitido enquadrar os aliados.

Conflitos com a mídia. Desde o primeiro dia Dilma praticamente desarmou os antigos críticos.
A essência do governo Dilma não mudou em relação ao governo Lula. Mas ela conseguiu esvaziar praticamente todas as bandeiras da oposição.

Não é à toa que chega ao final do primeiro ano com índices de popularidade recorde enquanto, na outra ponta, o PSDB se desmancha.

A única esperança do PSDB seria o governador Geraldo Alckmin montar uma gestão inesquecível, eficiente. Se depender do que foi mostrado até agora, o país caminha para um quadro politicamente delicado: um governo sem oposição.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O DESPOTISMO ESCLARECIDO CONTEMPORÂNEO


            Uma das grandes tentações dos pensadores da chamada modernidade, ou mesmo pós-modernidade, é decretar o fim ou a morte das coisas. Já se decretou a morte da filosofia, da história, do comunismo e até de Deus. Pretendo escrever um artigo posteriormente sobre isso. Nesse momento quero me debruçar sobre um texto do filósofo e professor português Desidério Murcho em que decreta outro fim: o da política. (http://criticanarede.com/fimdapolitica.html)
            O autor começa explicitando o que ele chama de mito contemporâneo: o de que a liberdade e a democracia são direitos fundamentais, sem os quais é impossível viver. Os defensores desse mito considerariam meras exceções países como Rússia, China, e até mesmo EUA, nos quais esses direitos são restringidos em nome da riqueza, como nos dois primeiros, ou da segurança, como no último.
            Na verdade, não seriam meras exceções. Diz ele: “Pensar que a liberdade e os processos democráticos são fins em si é talvez a grande ilusão contemporânea, ilusão que bate na parede inamovível da mentalidade pragmática e sem ideologias da generalidade da população dos países hoje mais ricos.” Ou seja, a maioria das pessoas, interessada somente em sua própria segurança e bem estar financeiro, não se importa pelo regime político sob o qual vive, contanto que essas duas coisas sejam mantidas. Por conseguinte, qualquer breve interesse pela política por parte do povo, viria exatamente como uma busca delas.
            Poderia-se então refutar a grande ilusão humana, trazida até nós pelos gregos, passando pelos Iluministas: a de que seria natural do homem o interesse pela política e de que se isso não ocorria era porque faltava a esse homem a instrução e estabilidade necessárias. Ele continua: “A participação na vida pública não aumentou na Europa, apesar de as pessoas terem agora a riqueza, o tempo e a instrução para o fazer. Não o fazem, porque não estão interessadas em fazê-lo. Preferem ver cinema ou futebol ou televisão, fazer compras, passar férias e fins-de-semana na praia — enfim, mil coisas, mas não perder tempo com a vida pública. O cadáver caminha ainda porque não se pára de ouvir falar na importância da participação na vida pública, a que se chama cidadania. Impõe-se isso como valor nas escolas e na televisão. E não funciona. Nada muda. O acto mais simples de cidadania é votar, mas nem isso a generalidade das pessoas fazem na Europa ou nos EUA.”
            O autor faz uma constatação aperentemente fria de algo que deveria ser analisado com mais profundidade. Sua problematização é extremamente rasa. Ele deveria, antes de tudo, se perguntar: o que faz as pessoas continuarem a ser indiferentes à política, mesmo possuindo instrução e riqueza? O que as condiciona a isso? O autor esquece que a massa não é um ente pessoal, concreto, individual. Não possui espontaneidade. O pensamento popular é volúvel, condicionado que é pela imprensa e por outros reprodutores do pensamento dominante. Veja o que ele diz:
            “Basta fazer esta pergunta para ver a raiz do desinteresse que as populações têm pela vida pública. Têm desinteresse precisamente porque não acreditam que a sua participação poderia fazê-los viver melhor — quer porque já vivem bem, quer porque acreditam que todos os políticos são incompetentes para gerir a coisa pública de modo a produzir mais riqueza e mais justiça.”
            Ao dizer isso ele defende a idéia errada de que esse pensamento seria inerente à população. Falta uma análise mais aprofundada sobre o processo histórico-social que tornou as coisas assim. Falta também analisar o grau de realidade disso na vida prática. O autor, ao dar status de verdade inquestionável ao juízo popular que, repito, é condicionado pelos discursos dominantes, exime-se de exercer sua função, que consiste, enquanto filósofo, em analisar e questionar a realidade. Além disso, ele parece gostar de modismos, como quando chama a Venezuela de regime populista, ou quando desvaloriza os chamados intelectuais, sendo ele mesmo um deles.
            E não pára por aí. Veja-se, por exemplo, quando ele compara a atividade política com a medicina. “Afinal, não vamos ao médico excepto quando estamos doentes ou para prevenir a doença. Não damos valor intrínseco à medicina.” Ele esquece que assim como no caso da medicina, a saúde política não é permanente. Não dá pra se confiar na natureza humana. A realidade atual é assim, mas não será assim para sempre. O que se deve fazer, e ele como filósofo tem papel preponderante nisso, é buscar soluções para um novo pensar da vida pública.
            O que se apreende no final, é que Desidério defende o “despotismo esclarecido”, versão menos antiga do conceito platônico de “governo dos filósofos”: “Desde que os governantes não abusem do poder para benefícios pessoais ilegítimos e megalómanos, nem para perseguir pessoas fanaticamente, não precisam de fingir que estão interessados em alargar liberdades e imaginadas cidadanias — só precisam de criar condições para que haja riqueza, consumo, bem-estar económico, diversão, liberdade económica.  (...) As novas restrições à liberdade e à democracia não estão ao serviço da tirania brutal e assassina; estão apenas ao serviço da estabilidade e da segurança que permitem a riqueza.” Ou seja, deixe o governo com quem entende, vá viver sua vida, relaxe e goze. “Será este o futuro político da humanidade? Não o modelo da democracia de gritaria, mas um modelo que não se reja por maiorias, nem eleições, nem partidos de oposição, nem gritarias ofensivas nos jornais, mas por competências de gestão económica arduamente demonstradas?” (grifos meus)
Estamos mais uma vez diante daquela noção rasa de que a boa gestão da economia é a salvação do mundo. Pensamentos como esse, de total ojeriza à democracia de verdade, inundam a mente de certos “formadores de opinião”. Nós, que defendemos o fortalecimento do regime democrático, devemos estar sempre atentos e tomar cuidado com esse tipo de idéia, bonitinha na superfície, mas ocultando o que há de mais retrógado em termos de gestão política.   

domingo, 29 de janeiro de 2012

O EX-COMUNISTA


            Meu pai, que era um fumante inveterado, dizia que não há nada pior que um ex-fumante. Aliás, pior que isso só um ex-comunista. Por força de um processo de (de)formação mental inexplicável, o ex-comunista não se torna só um direitista. Ele passa a deter um discurso do mais baixo nível intelectual e analítico e do mais raivoso e desembasado apologismo ideológico. Não se torna um dialogante. Torna-se um sem-argumento, usando do puro ataque como arma discursiva.
            Exemplos pululam por aí: Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Roberto Freire, Aloysio Nunes Ferreira, Soninha Francine, entre outros. E o discurso é sempre o mesmo, algo do tipo: “Na juventude eu era um incendiário, um rebelde. Na minha imaturidade da época, fui doutrinado pelos ideais de Marx, Lenin, Trotsky, Mao, e me tornei contra ‘tudo o que está aí’. Mas, graças a Deus (ou não, já que alguns continuam ateus materialistas) fui crescendo, adquiri maturidade, e vi que a realidade era outra. O que interessa é o emprego, a posição social e o dinheiro. Ir contra isso é pura utopia. Temos agora que livrar o mundo dessa raça, que busca através da mera anarquia, conquistar jovens incautos, como eu fui um dia, na busca por revalorizar a sociedade, tratando com igualdade os desiguais, entregando o mundo ao caos.”
            Quero deixar claro que não estou falando aqui que não se pode mudar ou amadurecer idéias, quando se têm razões para tal. Isso seria traição intelectual. Nem estou dizendo que o comunismo está acima de qualquer crítica. Devemos ter coragem e honestidade, nós da esquerda, para perceber nossos próprios erros, até para que não se repitam. Mas a questão do ex-comunista é mais profunda. Afinal, porque alguém se torna comunista, antes mesmo de conhecer a teoria a fundo? Acredito que a questão primordial é a defesa da justiça social, ideal ético do comunismo. Até porque é isso o que acontece na maioria das vezes. Che Guevara, por exemplo, teria dito uma vez que não era um marxista de origem, mas que havia encontrado no marxismo a base teórico-ideológica para o seu ideal de justiça social. O mesmo aconteceu com líderes populares da América Latina ou do Oriente Médio. O ideal primevo é a luta social, e muitas vezes antiimperialista.
            Mas como explicar a absurda reviravolta? De um dia pro outro defesa do social transforma-se na defesa do capital. Amadurecimento? A experiência de quem conhece as argumentações desses caras, prova a ilogicidade dessa hipótese. Meu palpite é que o ex-comunista é um revoltado consigo mesmo. Não tem coragem, ou inteligência, para defender algo coerentemente. E vive se culpando por isso. Quer viver uma rebeldia idílica, sem prestar contas a ninguém, mas não tem coragem de se desfazer do conforto que os bons empregos, os altos salários e os amigos ricos lhe proporcionam. São aqueles caras que querem entrar pra história, mudar o mundo, lutar pelos pobres, mas não tem peito para enfrentar os sacrifícios que isso acarreta. Mantém a auto-estima baixa. São invejosos. Sua saída, então, é o puro ataque àqueles que são o que sempre sonhou ser, mas não tem coragem. Chama-os de sonhadores, utópicos, idealistas, imaturos. Criam adjetivos para si mesmos, como pragmáticos ou realistas, compensando no seu subconsciente a baixa auto-estima que sente.
            Para comprovar isso, basta comparar o discurso de um ex-comunista, com um direitista “de nascença”. Estes últimos, como o professor Orlando Fedeli, o economista Roberto Campos, ou mesmo o Jair Bolsonaro, concorde-se ou não com suas idéias, e eu não concordo, possuem uma argumentação sem rodeios. Eles têm certeza do que querem e defendem. O ex-comunista, ao contrário, fica horrorizado com quem o chama de direitista. Suas conceituações são arremedos dos discursos da juventude. Eles continuam usando o apelo social e os chavões de um esquerdista. Na verdade, sofrem da mais horrorosa “esquizofrenia intelectual”. Não sabem o que querem, nunca souberam. Sentem um desejo urgente de aparecer. Precisam de platéia para sentir que são alguma coisa, que defendem algo importante.
            Dessa forma fica fácil identificar até um futuro ex-comunista. Eu, por exemplo, conheço vários: aquela jovem filiada ao PSTU, mas que só vai a lugares “chiques”; aquele professor que vive falando em defesa da pluralidade, mas que é intransigente com os outros; aquele rapaz que se orgulha de não assistir à Rede Globo, mas que chama funcionários públicos de vagabundos; aquela feminista radical, mas que só se relaciona com homens farristas, idiotas e extremamente machistas. Mistura de radicalismo irracional com individualismo materialista. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CRIANÇAS PALESTINAS SÃO PRESAS E TORTURADAS EM ISRAEL, SEGUNDO INFORMA O THE GUARDIAN


            Os direitos humanos não valem nada em Israel. Até crianças e adolescentes palestinos são mantidos prisioneiros em suas dependências penais, muitas vezes em celas solitárias, onde sofrem interrogatórios agressivos, vivem incomunicáveis e não são assistidos por advogados, segundo informa reportagem do jornal britânico The Guardian, de 22 de janeiro. A jornalista Harriet Sherwood, que fez a reportagem, diz ainda, que registrou denúncias de torturas com choques elétricos e de que algumas crianças são forçadas a confessar crimes que não cometeram. Algumas são detidas à noite, e são levadas algemadas nas mãos e nos pés e com os olhos vendados.
            A maioria dessas crianças é acusada de jogar pedras nos soldados israelenses. O emblemático é que isso acontece em áreas próximas às localidades invadidas por colonos israelenses, que pedem proteção militar ao exército. Os soldados provocam e são atacados pelas crianças, presas de acordo com a lei militar. O governo e as autoridades, claro, negam as acusações. Não sabem fazer outra coisa, não é mesmo? 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

EXIJIMOS: ESSA É BOA!

Deputado Túlio Isac, do PSDB de Goiás, quis ser muito esperto, contar piadinhas e desfazer-se dos adversários de forma infantil. Se deu mal. Muito mal!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

REINALDO AZEVEDO E A "JUSTIÇA" INJUSTA




           Não dá pra ignorar as pérolas de Reinaldo Azevedo. Em qualquer assunto o cara quer dar pitaco. E claro, sempre defendendo causas indignas. Com o episódio da invasão do Pinheirinho, não podia ser diferente. Tio Rei, como é ridiculamente chamado por seu séquito de fãs-comentaristas, defende com unhas e dentes a ação violenta da polícia. E justifica dizendo que ela só cumpriu decisão judicial, coisa ante a qual não poderia tergiversar. Diz ele:
“No Estado democrático e de direito, as determinações judiciais são cumpridas. Refiro-me, obviamente, AO CUMPRIMENTO DE UMA DETERMINAÇÃO JUDICIAL, de que a Polícia Militar não pode declinar, que resultou na desocupação da chamada “Área do Pinheirinho”, em São José dos Campos, em São Paulo. O governo de São Paulo e a Polícia Militar não podem escolher cumprir ou não o que determina a Justiça. Se pudessem, seriam entes soberanos —- na verdade, ditatoriais. O STJ decidiu que a competência era mesmo da Justiça estadual e que a Federal se equivocou. Logo, os invasores do Pinheirinho teriam de sair. E a PM atuou. Dentro da lei.”
            Interessante, no mínimo! Principalmente constatando-se que há, sim, determinações judiciais que não são cumpridas pelo governo do estado de São Paulo. Como a que envolve os professores de sua rede pública (cf.:  http://apeoesp.blogspot.com/2012/01/nosso-desafio-agora-e-fazer-o-governo.html). Além disso, essa absolutização da lei (como se todas as leis fossem justas ou imutáveis), acaba por encobrir a noção do que é justo e certo. Até porque há direitos que são conflituosos entre si. Por exemplo: é justo o direito à moradia de milhares de pessoas ser deixado de lado em nome do direito de propriedade de um único sujeito, ainda mais sendo ele o senhor Naji Nahas? Deve existir formas de a legalidade ser uma busca por justiça. Até porque justiça é transcendente. Legalidade é temporal. Cristãos eram devorados na arena porque assim rezava a legalidade romana. Judeus eram executados em câmaras de gás porque assim rezava a legalidade nazista. Negros eram escravizados em fazendas de café porque assim rezava a legalidade do Brasil Imperial. Depois reclamam quando o judiciário é chamado de “justiça burguesa”.
            Quanto a Naji Nahas, deixo a palavra com a própria revista Veja: (http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/perfil/naji-nahas.shtml):
“O empresário libanês naturalizado brasileiro foi apontado pela polícia como responsável por lavar o dinheiro ilegalmente no mercado de capitais. Ao lado de Dantas, Nahas teria montado um esquema de lavagem de dinheiro e de uso indevido de informações privilegiadas. Nas investigações da Satiagraha, agentes armados vasculharam o escritório do investidor em busca de documentos e computadores, mas levaram também uma coleção de obras de arte que adornava as paredes. As telas foram levadas ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), por decisão da 6ª Vara Criminal Federal.
A Polícia Federal o prendeu em sua casa em 8 de junho de 2008 - e o STF o liberou alguns dias dias depois. Foi indiciado por evasão de divisas, operação de instituição financeira sem autorização, falsidade ideológica, fraude e formação de quadrilha. Em setembro de 2011, a Justiça Federal negou a Nahas a devolução das obras apreendidas, um conjunto composto por quatro gravuras de Miró e três quadros de Fukushima Tikashi, Sergio Milliet e a tela Eternit Bar. Para a Procuradoria Regional da República (PRR), "o fato de Nahas não conseguir comprovar proveniência de obras de autores renomados só vem a reforçar os indícios de origem ilícita dos bens".”
            Depois vêm as contestações. Em outro post, Azevedo critica a fala de Gilberto Carvalho, de que o Pinheirinho era uma “praça de guerra”. A veracidade disso está nas imagens. Ele também diz que as hostilidades começaram quando os próprios moradores se prepararam para o confronto. Agora pensem comigo. Existe um terreno abandonado. Eu não tenho moradia e me aposso dele para pôr minha família sob um teto. Eu e mais outras famílias. Habitamos o lugar por oito anos, criamos raízes e o local é cuidado por nós, como qualquer bairro. De repente há a possibilidade de despejo. Conhecendo o judiciário e a polícia do país, principalmente de São Paulo, sempre ágil para atender os ricos e cheia de nhenhenhém para com os mais pobres, me preparo pro pior. E assim, vou atrás dos meus direitos à moda antiga. Como ser de outra forma? Mas não! No seu legalismo tacanho e no seu ódio a qualquer coisa que defenda a justiça social, Reinaldo chega a entrar em atrito até com a Globo, muito mais branda na cobertura do caso.
            Segundo ele, e continuam as babaquices, a polícia não tem o direito de questionar ordens judiciais. E mesmo que tenha havido posicionamento de um Tribunal Federal, a coisa não é válida, pois não existe subordinação. Ele ainda vai dizer, pra coroar, que a culpa de tudo é, claro, do governo, mais exclusivamente do PT, por não ter manifestado interesse em momento oportuno, antes da tragédia, apesar de haver ação do Ministério Público Federal contra a desapropriação. Como entendo de justiça, mas não entendo os meandros do direito, dou a palavra, neste item ao presidente da OAB, o insuspeito Ophir Cavalcanti: "O que está acontecendo em Pinheirinho é muito grave. É desobediência à ordem judicial. OAB-SP e OAB nacional estão agindo. A vida é o bem maior que o Direito deve proteger. A luta pelos Direitos Humanos é missão da OAB. Independente de respeito ou desrespeito às decisões judiciais, é preciso respeitar os milhares de moradores do local. O governo de São Paulo tem uma boa Procuradoria, que poderia ter orientado a PM neste caso. É um processo antigo, esperar mais dez ou 15 dias não teria problema. As pessoas desabrigadas ficaram em completo abandono, é uma questão de humanidade."
            Mas o pior de tudo, por fim, é ter de aguentar o senhor Azevedo, ou posando de vítima, falando que a imprensa progressista culpa sempre as mesmas pessoas simplesmente por serem adversárias políticas (pode uma coisa dessas?), ou querendo se passar como o único que sempre diz a verdade, sem se ater a pressupostos ideológicos ou partidários (grande Reinaldo!). Seria cômico se não fosse levado tão a sério. A verdade é o que ficou depois da invasão: saques, incêndios, destruição de casas e pessoas desesperadas correndo pra salvar o que sobrou de seu. É a vitória de uma “justiça” tacanha, classista e, incrivelmente, injusta.

PS.: A melhor análise do tema, na minha opinião, foi feita pelo jornalista Ricardo Boechat. Confira abaixo o vídeo:

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A APROVAÇÃO DE DILMA E A DIREITA ESTREBUCHANTE


            A presidenta Dilma Rousseff alcança mais um recorde. Seu índice de aprovação no primeiro ano de mandato, que é de 59%, segundo recente pesquisa realizada pelo Datafolha, é o maior de todos os presidentes pós-ditadura militar (Collor 23%, Itamar 12%, FHC 41% e 16%, e Lula 42% e 50%). Essa aprovação é compartilhada equilibradamente em todas as classes sociais, níveis de escolaridade, faixas etárias, assim como entre homens e mulheres. E tem mais! Ela é considerada “decidida” por 72% dos brasileiros, “inteligente” por 80%, e “sincera” por 70%. Alguns rasos oposicionistas, como Reinaldo Azevedo, já perguntam: e daí?
            Como e daí? Uma chefe de Estado de esquerda consegue, num país democrático e livre, bater recordes de popularidade, tendo toda a mídia, inclusive a empresa proprietária do órgão que fez a pesquisa, sempre contra, e o máximo que se diz é “e daí”? Típico da direita tupiniquim. Sem projeto e sem qualquer perspectiva real de futuro, ela se estrebucha, tentando esconder a importância dos fatos. O povo aprova o governo e não liga mais para os factóides criados pela imprensa partidária. É o aperfeiçoamento da democracia: povo consciente, e não manipulado, no poder. E quem ganha com isso? O Brasil, claro! 

sábado, 21 de janeiro de 2012

PEDANTISMO E IGNORÂNCIA: MARCAS DA MANIPULAÇÃO




            O interesse em manipular fatos, fazer julgamentos estúpidos e trocar as coisas de lugar é uma característica quase que doentia de determinados agentes da mídia. O vídeo acima, extraído do programa Manhattan Connection, exibido pelo canal pago Globo News, é exemplo crasso do que estou falando. Nele, dois jornalistas extremamente pedantes, Diogo Mainardi, autor de Lula é Minha Anta, livro de cabeceira de todo bobalhão anti-petista, contendo o mais rasteiro tipo de análise política, e Caio Blinder, o homem que chamou as esposas dos chefes-de-Estado árabes de “piranhas”, simplesmente por serem bonitas e modernas, expõem suas opiniões, principalmente o segundo, com a baixa qualidade intelectual e o imenso fervor apologético direitista que lhes são próprios, sobre o assassinato de cientistas iranianos, orquestrado pelo governo israelense.
            A manipulação conceitual do senhor Blinder é tão insensata, que chega a ser um atentado à inteligência, mesmo a mais mediana. Parece um rábula de porta de cadeia, tentando convencer que o Estado de Israel mata cientistas iranianos de forma legítima, dado o “fato” de o Irã ser um país terrorista, tese aparentemente provada, pasmem, pela relutância do país dos aiatolás em obedecer resoluções da ONU. Uma coisa sem pé nem cabeça. Afinal, se desobedecer à ONU é o critério para ser considerado terrorista, o maior de todos é o próprio Estado judeu. E, aliás, os EUA também. Para esses dois países é como se o órgão internacional fosse simples fachada, um mero órgão simbólico.
            E notem que a apologia a Israel é tão grande que Blinder chega a justificar as barbaridades cometidas por ele. Pra se defender, o Estado judeu pode tudo. Inclusive negar direito de defesa a seus vizinhos. Como eu já disse anteriormente, é uma desfaçatez sem tamanho, que contamina as mentes do Ocidente. Contamina inclusive o bem falar, pois o jornalista confunde desertar (abandonar) com deserdar (retirar o direito de herança). Pedantismo e ignorância juntos só podem dar esse resultado.
            Além do mais, o efeito, quando se age dessa forma, e também já deixei isso claro, não é o esperado. Até porque o Irã não tem medo de Israel. O ódio que sente, plenamente justificado por covardias desse tipo, o faz superar qualquer temor por um inimigo superior militarmente. O que tende a acontecer é a retaliação, perpetuando o sentimento de que só a violência resolve. E eu pergunto: quem está com a razão? Já deixei claro que não morro de amores pelo regime teocrático do Irã, mas o que ele faz é buscar instrumentos que melhorem sua defesa, visto o exemplo do Iraque ter mostrado que os EUA, seus adversários, invadem qualquer país a hora que querem, sem levar em consideração nem a ONU, e isso é o bastante para legitimá-lo. Até porque, americanos e israelenses também possuem suas bombas. Qualquer pessoa preocupada com o perigo nuclear deveria levar isso em consideração. Do contrário, será mais um hipócrita a bater palmas às mentiras de determinados jornalistas.