sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

UMA BOA INTERPRETAÇÃO DE JOKERMAN, DE BOB DYLAN

Copiado do blog Notas da Liberdade:

Jokerman
Bob Dylan
Composição: Bob Dylan
Standing on the waters
casting your bread
While the eyes of the idol
with the iron head are glowing.

Distant ships sailing into the mist,
You were born with a snake in both of your fists
while a hurricane was blowing.

Freedom just around the corner for you
But with the truth so far off, what good will it do?

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

So swiftly the sun sets in the sky,
You rise up and say goodbye to no one.
Fools rush in where angels fear to tread,
Both of their futures, so full of dread,
you don't show one.

Shedding off one more layer of skin,
Keeping one step ahead of the persecutor within.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

You're a man of the mountains, you can walk on the clouds,
Manipulator of crowds, you're a dream twister.
You're going to Sodom and Gomorrah
But what do you care? Ain't nobody there would want to marry yoursister.

Friend to the martyr, a friend to the woman of shame,
You look into the fiery furnace, see the rich man without anyname.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

Well, the Book of Leviticus and Deuteronomy,
The law of the jungle and the sea are your only teachers.

In the smoke of the twilight on a milk-white steed,
Michelangelo indeed could've carved out your features.
Resting in the fields, far from the turbulent space,
Half asleep near the stars with a small dog licking your face.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh. oh. oh. Jokerman.

Well, the rifleman's stalking the sick and the lame,
Preacherman seeks the same, who'll get there first is uncertain.

Nightsticks and water cannons, tear gas, padlocks,
Molotov cocktails and rocks behind every curtain,

False-hearted judges dying in the webs that they spin,
Only a matter of time 'til night comes steppin' in.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

It's a shadowy world, skies are slippery gray,
A woman just gave birth to a prince today and dressed him in scarlet.

He'll put the priest in his pocket, put the blade to the heat,
Take the motherless children off the street
And place them at the feet of a harlot.

Oh, Jokerman, you know what he wants,
Oh, Jokerman, you don't show any response.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

E agora a minha tradução, acompanhada de notas e prefácio, e posfácio:



Esta canção deve ter sido composta pelo judeu Bob Dylan quando ele esteve convertido ao cristianismo, para surpresa e indignação de alguns.
O “coringa” é uma imagem inusitada para associar a Jesus. A referência deve ser ao inesperado que simboliza o coringa, o surpreendente, a loucura, até, aos olhos do homem. Pois se a sabedoria humana é loucura aos olhos de Deus, também a sabedoria divina deve parecer loucura aos olhos do homem. A música tem passagens que dão conta desse inesperado, dessa surpresa, ao refletir sobre Deus. Na tradução, eu espalhei várias notas com interpretações minhas sobre passagens da letra. Algumas dessas interpretações parecem mais óbvias, algumas mais discutíveis. Não tenho a pretensão de afirmar que desvendei o que Bob Dylan queria dizer. Já se disse que nas interpretações de obras artísticas, revela-se mais o que vai na cabeça do intérprete do que na do autor da obra. Concordo, mas isso não retira o direito de qualquer um fazer a interpretação que lhe apraz, e partilhá-la. Podem lê-la, ou não, concordar com ela ou não, achá-la interessante ou não.
E eu posso escrevê-la. Há tempos eu aprecio letras de música, me emociono com elas, e as reflito. E desde que li uma edição da Divina Comédia, repleta de comentários, tenho a vontade de também fazer minhas traduções comentadas. Não vejo porque as letras de música teriam uma menor dignidade para serem refletidas, estudadas, comentadas. Quem ama a Divina Comédia, que a estude e a comente. Quem ama a letra de música, é estimulado por ela para alguma reflexão, então a reflita! Não vá um sábio de academia querer me dizer o que eu posso ou não gostar. E eu gosto de Dante e de Bob Dylan, e de Mozart e Elvis Presley. E nem preciso comparar, não acredito que haja possibilidade de comparação. Gosto deles, e isto me basta. Uma hora na companhia de um, outra hora na de outro. Que bom que cada um deles existiu, que bom que eu posso ter uma hora ou outra agradável com eles!
E então vamos à tradução:
CORINGA
De pé sobre as águas
Distribuindo o seu pão1
Enquanto os olhos do ídolo
Com a cabeça de ferro brilham2
Navios distantes
Navegam pra bruma3
Você nasceu com uma serpente em ambos os punhos
Enquanto um furacão soprava4
Liberdade, bem ali na esquina pra você
Mas com a Verdade tão distante
Que bem iria fazer?5
Coringa dançando para a melodia do rouxinol
Pássaro voa alto à luz da lua
Oh, Coringa
Tão rápido o sol se põe no céu,
Você se ergue e se despede de ninguém6
Tolos se precipitam
Aonde os anjos temem pisar
Ambos os futuros tão cheios de horror
Você não revela nenhum7
Trocando mais uma camada de pele
Mantendo um passo à frente do perseguidor interior8
Você é um homem da montanha
Você pode caminhar sobre as nuvens
Manipulador das multidões
Você faz os sonhos se torcerem
Você vai pra Sodoma e Gomorra,
Mas o que te importava?
Não tem ninguém por lá
Que quisesse casar com sua irmã9
Um amigo do mártir,
Um amigo da mulher da vergonha,10
Você olha a fornalha ardente
Vê o homem rico sem nome11
O livro de Levítico
E o Deuteronômio12
A lei da selva e o mar
Foram seus únicos mestres
Na fumaça de um crepúsculo
Sobre um corcel branco como leite
Michelangelo, realmente,
Podia ter esculpido sua figura13
Descansando nos campos, longe do espaço turbulento,
Meio adormecido entre as estrelas
Com um cachorro pequeno lambendo a sua face14
O homem do rifle faz tocaia
Para o doente e o aleijado
O pastor vai receber o mesmo
Quem vai chegar primeiro, é incerto15
Cacetetes e canhões de água,
Gás lacrimejante, cadeados,
Coquetéis molotov, e pedras,
Atrás de cada cortina16
Juízes de coração falso
Morrendo nas teias que tecem17
Apenas uma questão de tempo
Até que a noite venha se aproximando18
É um mundo repleto de sombras
Os céus são escorregadios e cinza19
Uma mulher deu à luz um príncipe hoje
E o vestiu de escarlate20
Ele vai colocar o sacerdote no bolso21
Vai colocar a lâmina para aquecer 22
Vai tirar as crianças sem mãe das ruas
E colocá-las aos pés de uma prostituta.23
Oh, coringa, você conhece o desejo do homem!
Oh, coringa, você não oferece qualquer réplica!
Coringa dança para a melodia do rouxinol
Pássaro voa alto à luz da lua
Oh, Coringa

1No primeiro verso, já temos a referência a Jesus, embora em nenhum momento da canção ele seja diretamente mencionado. Mas Jesus é quem caminha, ou fica em pé, sobre as águas do Lago de Genesaré, na Galiléia. No segundo verso, a referência é ao milagre da multiplicação dos pães (ver Mateus 14, 14 a 33).
2Deve ser a inveja que faz brilhar os olhos do ídolo feito de ferro, diante da visão do Deus vivo.
3Os navios do lago da Galiléia, onde Jesus caminhou sobre as águas? Uma metáfora das vidas caminhando para a morte?
4Hércules estrangulou com os punhos, no berço, duas serpentes enviadas por Juno para matá-lo. Também o furacão indica um momento de perturbação, talvez uma referência à reação violenta do velho mundo ameaçado pela nova era que seria inaugurada pelo Messias. Herodes e o massacre dos inocentes.
5Nesta estrofe, a referência talvez seja à tentação de Jesus no Jardim de Getsemani. Ele poderia se livrar de seus perseguidores e de seu destino. Bastaria rezar ao Pai, e um exército de anjos surgiria para afastá-lo do cálice. Mas com a Verdade perdida, de que serviria? Jesus não se apresenta como o Caminho, a Vida e a Verdade? E a Verdade não libertará? Seja feita a Vossa vontade, portanto. (cf. João 8, 21 a 47).
6O sol se põe, a morte na cruz? E, após, erguer-se pode ser uma referência à ressurreição, e que não haveria despedida, porque permaneceria vivo como Espírito Santo para seus discípulos.
7Um aspecto do Coringa, o misterioso. Os tolos e os anjos têm de enfrentar seus destinos, e a morte, cada qual à sua maneira, mas ambos na escuridão. “Pois eu vos digo: Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus. Porque ele faz nascer o sol para bons e maus, e chover sobre justos e injustos.”
8Novas referências à ressurreição? O perseguidor interior = a morte?
9A referência aqui é a Gênesis, 18 e 19. O Jokerman é identificado com o próprio Deus, que decidiu destruir Sodoma e Gomorra pela impiedade de seus habitantes. Mas antes envia dois anjos que vão livrar o justo Ló e sua família da aniquilação. “Ninguém por lá que quisesse casar com sua irmã” - a irmã do Jokerman seria as duas filhas de Ló, o homem justo? Casar com elas seria desposar a justiça. Mas os habitantes de Sodoma queriam violentar os hóspedes de Ló, os anjos do Senhor. O que importava ao Senhor visitar a terra dos homens ímpios? Ainda assim, Ele o faz, na representação de Seus anjos, e conforme a instigação de Abraão, para defender os Seus justos. Ou, melhor dizendo, os que tentam ser justos. Não é fácil entender a atitude de Ló, sacrificando a honra de suas filhas pela de seus hóspedes.
10“Amigo do mártir”, como, por exemplo, no apedrejamento de Estêvão (Atos, 7, 54 a 60), o primeiro mártir. “Amigo da mulher da vergonha”, por exemplo, ao salvar do apedrejamento a mulher adúltera (João, 8, 1 a 11), ou ao perdoar os pecados da mulher comumente identificada como Maria Madalena (Lucas, 7, 36-50).
11O rico sem nome aparece na parábola do rico e do pobre Lázaro, Lucas, 16, 19-31. Este rico da parábola de fato arde no fogo, e não tem nome, ao contrário do pobre, chamado Lázaro. Talvez não ter nome signifique perder a identidade, por amor à riqueza, ou que a condenação não se prende a um homem específico, mas à condição do homem, qualquer homem, que se prende à riqueza. Que idolatra a riqueza.
12Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da Lei, Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. Mas o segundo é semelhante a este: Amarás o próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (cf. Mateus, 22, 34 a 40). O primeiro mandamento Jesus retira de Deuteronômio 6,5, e o segundo, de Levítico, 19,18. Daí os mestres de Jesus, além da lei da selva e o mar, isto é, a própria natureza.
13Michelangelo realmente esculpe a figura de Jesus, mas apenas na Pietá, que eu me lembre. O “corcel branco como leite” pode ser apenas símbolo de majestade.
14Este trecho me parece uma representação da natureza dupla de Jesus, divina e humana. Em paralelo, o turbulento espaço/as estrelas, e os campos/o cachorrinho lambendo a face.
15Os pastores, os doentes, os aleijados, são todos vítimas do homem com o rifle fazendo tocaia, da crueldade e da covardia humanas, da morte. Permanece oculto o destino de cada um, quem vai ser o primeiro a enfrentar a morte? (Who´ll get there first is uncertain). Compare nota 7.
16Nas imagens de um distúrbio de rua, de um conflito entre policiais e manifestantes, um símbolo para a violência que se oculta em cada coração. A hipocrisia.
17Nova imagem de hipocrisia, agora como causadora da perdição daqueles mesmos que a praticam.
18Noite=morte. A igualadora, inescapável. “Apenas uma questão de tempo...”
19Imagem trágica da vida: incerta, enganadora (cinza), com a sorte mutável (escorregadia), e ameaçada pelo mal (mundo repleto de sombras).
20Nesta vida trágica surge a esperança, Jesus, o Príncipe que foi dado à luz pela humilde Maria. Ela o vestiu de escarlate, cor que denota nobreza, ou com seu próprio sangue no momento do parto, a natureza humana desse Deus surpreendente, motivo de escândalo para tantos?
21São diversas as passagens em que Jesus surpreende e confunde os sacerdotes, os escribas, os doutores da Lei. Por exemplo, Mateus, 22, 15 - 22, 41 - 46; João, 3, 1 - 15. E “ficaram todos tão espantados que perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Uma doutrina nova, dada com autoridade! Ele manda até nos espíritos impuros e eles lhe obedecem” (Marcos, 1, 27 - 28).
22“Colocar a lâmina para aquecer”, como um ferreiro que aumenta o gume da espada, tornando-a mais afiada. “Não penseis que vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, e sim a espada. Pois vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. Os inimigos da gente serão os próprios parentes” (Mateus, 10, 34 - 36 e Miquéias, 7,6).
23Jesus mostra-se frequentemente surpreendente, como estes versos, subvertendo os valores corriqueiros. Ver nota 10, exemplos da atitude de Jesus, escandalosa aos olhos de seus contemporâneos, de perdão diante das “mulheres da vergonha”. “Tirar as crianças sem mãe das ruas, e colocá-las ao pé da prostituta”, significará amparar as crianças deixadas ao abandono pela indiferença humana, e honrar as prostitutas, habituais repositórios do desprezo dos felizardos(as) bem-de-vida, confiando aqueles órfãos aos cuidados destas.

E termino a tradução, com as notas. Deu-me mais trabalho, e estendi-me mais, do que pensei a princípio. Talvez tenha exagerado, ou forçado a barra, em algumas passagens. Não importa. Como disse, é só uma interpretação, a minha interpretação, sem pretensão de decifrar o pensamento do Bob Dylan.
Creio mesmo que após a publicação, a obra de um autor fica disponível para toda interpretação, qualquer interpretação. Mesmo uma interpretação do próprio autor será apenas mais uma interpretação, talvez sequer a mais interessante.
Também não é que qualquer interpretação se equivalha. O estudo, a imaginação, a própria inspiração, ou talento, do intérprete, podem acrescer ou diminuir o interesse de uma interpretação. Em última instância, porém, quem vai dizer se uma interpretação vai convencer, inspirar, ou emocionar mais que a outra? No clipe de Jokerman que indico no You Tube, em determinado momento surge a figura de Hitler (associada ao verso “manipulador de multidões”). Não sei se o clipe teve alguma aprovação do Bob Dylan, mas não me importa. Como eu disse, a interpretação do próprio autor de uma obra será só mais uma interpretação. Pode ser interessante, mas não obriga, absolutamente, o público a ter a mesma idéia, ou a sentir da mesma maneira.
Para mim Hitler não tem a menor pertinência na música, e não há qualquer termo de comparação entre ele e o Jokerman, Jesus, como eu interpreto. Mas alguns seguidores de Jesus agiram como seguidores de Hitler, massacrando pagãos nas Cruzadas, por exemplo, como se fossem menos humanos, menos o próximo, e pervertendo o mandamento de amor ao semelhante.
Então, se a imagem de Hitler na música pode inspirar a reflexão, ainda que me pareça “errada”, como interpretação, eu não posso deixar de entendê-la válida.
Aliás, eu vejo agora nos comentários ao vídeo, no You Tube, que as teorias são muitas sobre a identidade do Jokerman. Vão de Hitler, ao Cristo, ao Anti-Cristo, ao pai de Dylan, à humanidade... como se vê, a obra artística não se fecha, ela é única para cada intérprete.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

CONTRA A CRETINICE: "ANTI-SEMITA É A VOVOZINHA"


            Uma das mais propagadas cretinices intelectuais da atualidade é achar que qualquer pessoa que critique o Estado de Israel é anti-semita. É como dizer que quem critica o governo cubano é antilatino ou que quem critica qualquer ditadura africana possui preconceito contra negros. Na verdade, o que esse tipo de discurso quer é justificar subrepticiamente qualquer barbaridade cometida pelo Estado judeu (que é o que ele é de fato), tornando sem valor qualquer crítica, visto partirem de fontes baseadas no preconceito. Fontes essas, portanto, sem fundamento analítico.
            Quando se critica Israel, pelo menos boa parte dos críticos que eu conheço, não se critica o povo judeu como um todo, pois isso é uma generalização burra. Quem faz isso é um verdadeiro cretino, um vigarista. Não se critica, tampouco, a existência em si desse Estado. Podemos resumir a crítica sob dois aspectos: critica-se o caráter judeu, portanto, confessional, ou pelo menos, etnocêntrico, do Estado, entendendendo o laicismo e a convivência pacífica entre os diferentes como a expressão político-social mais adequada à contemporaneidade; e critica-se o fato de que a defesa do direito a uma terra para o povo judeu  deva conflituar-se com o mesmo direito para o povo palestino. Dizer que isso é anti-semitismo é associar, necessariamente, a violência, o etnocentrismo e outras mazelas ao povo judeu, e isso é que é uma verdadeira falta de respeito. Quem faz isso também é cretino e vigarista.
            Digo isso porque nesses dias está ocorrendo um curso, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, intitulado: “A Questão Palestina e o Conflito no Oriente Médio”. O mais reacionário dos jornalistas tupiniquins, Reinaldo Azevedo, sempre ele, não poderia deixar de dar sua tão atoleimada opinião. Para ele, o curso nada mais é do que um evento militante, que tem por objetivo produzir lavagem cerebral na mente de iniciantes do jornalismo, doutrinando-os para que eles passem a defender, em sua carreira jornalística, a destruição do Estado judeu (ele mesmo o chama assim). Cretinice pura! O curso é militante sim, só que milita por uma visão mais abrangente, contrapontual ao discurso de demonização dos palestinos e de indiferença para com a sua causa. Afinal, quem não tem Estado são os palestinos, e Israel é um dos grandes responsáveis por isso.
            Um ponto muito curioso em todo este cenário é que todos os dias setores da mídia fazem apologia a Israel, tido como uma ilha de democracia em meio a várias ditaduras, que além do mais patrocinam terroristas. Reinaldo chega inclusive a dizer, cinicamente, que Israel é o país onde os palestinos possuem mais dignidade e direitos democráticos. Posso usar vários exemplos para mostrar que isso é uma mentira deslavada. Colhi esse no sítio de notícias do portal Terra. É meio grande, mas é bem esclarecedor:
“As prisões de Israel abrigam mais de 300 palestinos detidos de forma arbitrária, que sofrem de forma reiterada diversos tipos de abuso, denunciou nesta terça-feira o relator especial das Nações Unidas sobre a Situação dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, Richard Falk.
"O governo de Israel o classifica como ''prisões administrativas'', mas é mais honesto chamá-las de prisões sem acusações ou, diretamente, prisões arbitrárias", afirmou Falk em comunicado.
"Fui informado de fontes críveis que atualmente há em prisões israelenses cerca de 300 palestinos sem acusações. Pedi informações de cada uma dessas pessoas e pretendo fazer um acompanhamento de cada caso e tratar o tema na sessão do Conselho de Direitos Humanos em junho de 2012", acrescentou.
Estima-se que há cerca de 4,4 mil palestinos nas prisões israelenses.
Falk destacou, além disso, que vários especialistas em prisões lhe informaram que os palestinos são vítimas de abusos físicos, verbais e psicológicos; sofrem falta de acesso a tratamento médico adequado; são sujeitos a confinamento solitário por períodos extensos; vivem em celas superlotadas e precárias; e não podem receber visitas de seus familiares.
"Estou consternado porque, embora essas acusações se repitam há anos, não houve reformas ou mudanças a respeito", assinalou Falk, que pediu uma ação urgente. "A comunidade internacional deveria dar maior prioridade à constante violação dos direitos dos prisioneiros palestinos".”
            Outro ponto interessante é a questão da isenção. Tio Rei fala que os ministrantes do curso não são isentos. Bom, mas quem é isento nesse assunto? Por acaso, ele o é? No seu devaneio, ele chega a fazer um brilhante questionamento: o Sindicato abriria um curso para ouvir a outra versão? Até parece que o negócio é sério, como diz minha mãe. Pra quem já participou de fóruns enaltecedores de Israel, como o Momento no Oriente Médio, evento comemorativo dos 63 anos de criação do Estado judeu (vide PS2, no fim do texto), o questionamento vale pra ele também. Por que ele não promove algo do tipo no seu blog, já que ele é tão a favor de se analisar as várias versões de um mesmo fato? Que cínico! Defensor intransigente de tudo o que Israel faz, é mais fácil ele publicar um post no dia 22 de julho, comemorando os 66 anos do atentado ao hotel King David, em Jerusalém, episódio marcante da luta que culminou com a criação de Israel, como Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro do país, fez em 2006, do que realizar algo desse tipo.
            E ele ainda reclama o fato de o Sindicato abraçar uma causa, coisa própria da essência de qualquer organização desse tipo. Afinal, ele mesmo não abraça as deles com tanto afinco. E que afinco! Ele não aceita (não consegue, não faz parte da sua natureza) a existência de algo contrário ao que ele prega. Se dependesse dele, esse tipo de coisa nem existiria. Se dependesse dele, o governo israelense (talvez o responsável “pelo simples salário pago/pelo secreto coração deles” (vide PS3)) estaria livre para agir contra quem quisesse, sem que a opinião pública pudesse conhecer a verdade e se intrometer no assunto. A pecha de anti-semita serviria para coroar pejorativamente os que insistissem no negócio, desmoralizando-os e aos seus argumentos.

PS: Devemos rejeitar veementemente essa pecha de anti-semita. Atacar o Estado, reitero, não significa de maneira nehuma atacar o povo judeu. Muitos deles mesmos são vítimas da arbitrariedade do governo. A nossa luta é por um governo mais aberto e que entenda que outros povos também possuem direitos. Devemos dizer, com todo respeito: “Anti-semita é a vovozinha”.

PS2: Quando do post do Reinaldo falando do evento “Momento no Oriente Médio”, um dos comentários me chamou atenção. São palavras preconceituosas, que foram aceitas pelo dono do blog:
bpistelli
16/05/2011 às 16:41
O estado israelense, o único sem maioria árabe foi criado e a cabeça dos fundadores, progressistas foi fundamental para o estado tornar-se desenvolvido. É um país pequeno e com 50% de palestinos (árabes israelenses) que têm 8 filhos por mulher, esperam esmagar demograficamente o povo hebreu, imaginam que em 2060 serão 90% da população israelense e possam refundar a palestina Árabe. Se os israelenses forem mais inteligentes, que deixem a falxa de gaza e parte da cisjordânia como país palestino. Os palestinos que se multiplicam como ratos ficarão apertados no pequeno território e passarão a reduzirem a natalidade.
De duas uma, a guerra de extermínio ou o controle de população, pela educação do povo.

PS3: Os versos apresentados no último parágrafo são de autoria de Dylan Thomas, traduzidos para o português por Mário Faustino. Eles aparecem no cabeçalho do blog do Reinaldo Azevedo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PRÉVIAS NA "DITADURA" DE CHÁVEZ


                Deu no Estadão no último dia 13: “O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, foi eleito ontem candidato único da oposição para enfrentar o presidente Hugo Chávez, no poder há 13 anos, na eleição presidencial de 7 de outubro.”
            Interessante notar que a grande ditadura do Cone Sul possui eleições para escolher sucessores para o “ditador” Hugo Chávez (trata-se aqui de uma ironia, mas o blog Videversus teve o displante de usar esse adjetivo para qualificar o presidente venezuelano). Total falta de respeito aos leitores e à própria ciência política. Nem mesmo o mais reacionário dos acadêmicos dessa área conseguiria chamar um país que possui eleições presidenciais, inclusive com o recurso da prévia, de ditadura. Contudo, visto o tipo de colocações desse tipo de gente, isso não surpreende mais.

PS: Quem gosta de verificar as coisas o link do post do Videversus é: http://poncheverde.blogspot.com/2012/02/capriles-vence-previas-e-enfrentara-o.html. Postei um comentário lá, mas não foi publicado. Fazer o quê? Quem não sabe o que é diálogo é assim mesmo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

EVRA X SUÁREZ: POR UMA ABORDAGEM JUSTA DA QUESTÃO DO RACISMO


            Ao tomar conhecimento do recente caso envolvendo acusações de racismo no futebol, tendo como protagonistas o uruguaio Luís Suárez e o francês, nascido no Senegal, Patrice Evra, jogadores do Liverpool e do Manchester United, respectivamente, fiquei tentado a, a partir de uma pesquisa mais detalhada na rede, expor a minha opinião. Não é tarefa das mais fáceis ou compensadoras, mas gosto dos desafios.
            O problema em se entrar num assunto como esse é que, por envolver racismo, muita coisa já parece estar, a priori e irremediavelmente, no seu devido lugar. Ou seja, ao tratar de um branco que usa termos pejorativos referentes à cor da pele com um negro, o caso não necessita de mais delongas. Condena-se o branco por racismo, e pronto. Quem tenta alongar a questão, principalmente sendo branco, geralmente passa a ser considerado conivente com o racismo, ou como alguém que tenta justificar o injustificável. Além disso, por envolver futebol, e a rivalidade é grande entre as equipes, a coisa passa a ser ainda mais polarizada. Em tudo isso fica faltando sempre uma coisa: justiça, ou pelo menos, a busca dela. E é nisso que vou me fitar, consciente de que faço a coisa certa.
            Pra quem não conhece o fato aí vai um resumo, feito com base no que boa parte da imprensa noticiou: Em um jogo entre as duas equipes, uma pequena discussão ocorre entre os dois jogadores por causa de uma jogada violenta. No meio do entrevero o uruguaio teria usado referências pejorativas à cor da pele do francês. Ao fim do jogo, este último entra com processo disciplinar na Federação Inglesa (FA) por racismo e acaba vencendo. A FA condena então o uruguaio a oito jogos de suspensão. Após cumprida a pena, as duas equipes voltam a se encontar. No momento do aperto de mão dos atletas, Suárez recusa-se a apertar a mão de Evra, acirrando ainda mais os ânimos. Pronto. O uruguaio condenado por racismo, também é mal-educado.
            Mas, peraí? Suárez foi condenado por quem? Por um tribunal da Inglaterra? Não, pela FA. O conselho que o julgou era composto por três homens, dois deles com íntimas ligações com os envolvidos: Denis Smith, que fez do medíocre Darren Ferguson, filho do treinador do United (de quem afirma já ter salvo o emprego), capitão do time galês Wrexam; e David Gill, Diretor Executivo do Manchester. Esse conselho ignorou o caráter inconstante do relato de Evra. Ignorou também seu histórico de falsas acusações de racismo. Fez vista grossa às palavras ofensivas do francês, ao chamar a irmã de Suárez de puta. E pra completar, ignorou o fato de não haver nenhuma prova concreta, nenhum vídeo, nenhum outro testemunho que corroborasse a acusação de Evra.
            Então, temos o seguinte: podemos afirmar que Suárez não é racista? Não, assim como não posso afirmar a mesma coisa sobre Evra ou sobre qualquer outra pessoa. O que posso dizer, tendo por base as normas mais elementares do direito e da justiça, é que o uruguaio, ou qualquer outro indivíduo, tem presumido o seu não racismo. É inocente desse crime até prova em contrário. Se formos aceitar que ele é racista com base em apenas um testemunho, nossa noção de direito e justiça é a mesma da Inquisição Espanhola. Aliás, até pior, pois esta aceitava, no mínimo, dois testemunhos, para levar adiante uma acusação.
            Quanto ao aperto de mão, das duas uma: ou ele é mesmo racista, coisa extremamente duvidosa, como já vimos, merecendo a execração pública de todos os amantes do futebol; ou ele é um cara de caráter muito firme, incapaz de, após ser acusado de coisa tão grave injustamente, fingir que nada aconteceu. Dadas as evidências, ou a falta delas, a segunda opção me parece mais plausível.

PS: O mais racional, para Suárez, seria processar o francês, assim como a FA, por calúnia. O uruguaio optou pela saída mais passional. Juro que eu, assim como, creio, muitas outras pessoas, faríamos a mesma coisa. Ser acusado do que não fez é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MAIS UMA DA DIREITA SEM PERSPECTIVA


            O senhor José Serra, candidato derrotado por duas vezes à Presidência da República, publicou dia 9 de fevereiro, no Estadão, um artigo intitulado A era do oportunismo, no qual tece críticas ferrenhas ao Partido dos Trabalhadores e ao governo Dilma Rousseff. O texto foi visto com estardalhaço na mídia impressa, recebendo altas apologias de seus quadros. Para lê-lo na íntegra, o endereço é http://www.joseserra.com.br/archives/artigo/a-era-do-oportunismo.
            Como não podia deixar de ser, vindo de quem veio, o artigo é carregado de equívocos e incongruências. Coisa típica de quem subestima a inteligência alheia. É um discurso vitimista, típico da nossa direita na atualidade. Uma voz que parece clamar heróica em meio à tirania. Serra trata o governo brasileiro como ditatorial. Um governo que não admite críticas e que coopta a imprensa. Paga inclusive, segundo ele, propinas a determinados jornalistas, que escrevem nos chamados “blogs sujos”. Esse artifício teria duas finalidades: esconder os erros do PT e de seus aliados da opinião pública; e, de forma complementar, também enlamear reputações de oposicionistas. Acontece que quem tem um pouquinho de conhecimento e de honestidade sabe que isso distorce os fatos. Senão, vejamos. Lula foi um dos presidentes mais criticados e ridicularizados pela mídia, não ocorrendo em seu governo, no entanto, nenhum fechamento de jornal, ou ato semelhante de autoritarismo estatal, policialesco. Uma mídia, por sinal, sustentada em boa parte com recursos do próprio governo, via verbas de publicidade. Além disso, a questão dos blogs que são pagos pra defender o governo e atacar adversários é acusação antiga e nunca comprovada, demonstrando leviandade do autor que, aliás, parece ter se acostumado a fazer esse tipo de coisa, assim como a tratar de forma autoritária jornalistas que o colocam na berlinda. E por falar em assassinato de reputações, o mestre nessa arte não vem do governo, mas da oposição, trabalha naquela que é considerada a maior revista do país, possui um blog e se chama Reinaldo Azevedo.
            Outra característica do texto é seu conteúdo partidarista. Serra não defende uma ideia, um princípio, apesar de ficar o tempo todo batendo nessa tecla. O que ele faz é exatamente aquilo que está criticando. Além de subestimar a inteligência alheia, de distorcer fatos, e de se mostrar equivocado, incongruente e leviano, tudo isso em apenas doze parágrafos, o ex-prefeito mostra que também é hipócrita. Seu texto tem uma só finalidade: atacar o PT. Os meios se justificam em nome disso. Ele critica o partido, acusando-o de não ter mais referências, de ter tornado-se pragmático. Ora, mas não era a falta disso que tornava o PT ruim? Um partido ideológico, sem os pés no chão? Ele acusa o partido de ter privatizado os aeroportos (na verdade foi uma concessão). Mas isso não é algo moderno? Segundo ele, o PT não fez nada para resolver o problema do Pinheirinho. Mas não foi o governo Alckmin quem mandou sua polícia “baixar o sarrafo” nos coitados? Ele também diz que o PT coopta os partidos com cargos para governar com maioria. Mas não foi isso que fez FHC, ao jogar no lixo sua biografia e se aliar com o que havia de mais conservador e retrógrado na política brasileira? O Partido dos Trabalhadores não é nenhum conclave de santos. Mas não é o senhor Serra quem tem moral para criticá-lo.
            E a continuar assim, a tendência de José Serra é afundar cada vez mais no ostracismo político. Seus ataques não surtem mais efeito. Não possuem fundamento, nem coerência. Seu telhado, principalmente depois dA privataria Tucana, torna-se cada vez mais frágil. Suas palavras dão mostras somente de desespero e de rancor. São o supra-sumo do que representa a direita atual, incapaz de, séria e honestamente, debater ideias e projetos. Nós da esquerda, agradecemos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

REVISTA VEJA MANIPULA INFORMAÇÃO


Do blog Contexto Livre:

Veja manipula!

A matéria de capa da Veja é daquelas que tenta – usando todos os artifícios possíveis – construir situações que sirvam para desgastar o governo Dilma.
A historinha, que tentarei demonstrar fortemente manipulada, é que uma mulher teria se infiltrado nos instestinos do governo para facilitar a corrupção.
Na verdade, a mulher (Christiane Araujo) era do esquema Durval Barbosa, o tal que comandava o esquema de corrupção, que levou o ex-governador do DEM José Arruda à prisão e à renúncia.
A Veja pretende demonstrar que o Gilberto Carvalho teria se comprometido a convencer o Lula a nomear o procurador Leonardo Bandarra (que estava ligado também ao esquema Durval/Arruda) e, portanto, poderia ter alguma coisa a ver com esse esquema.
Como prova mostra emails que fotografei e mostro no início deste post.
A Veja tenta mostrar a seguinte sequência:
1. A Christiane pede o apoio do Gilberto para convencer o Lula a indicar o Bandarra
2. O Gilberto se compromete a levar o assunto ao presidente Lula
3. A Christiane agradece a atenção do Gilberto
4. O Gilberto diz que ficou satisfeito com a nomeação
Agora, prestem atenção nas datas e horários dos emails e constatem a manipulação da Veja
O email em que a Christiane pede o apoio é posterior ao que Gilberto diz que levará o assunto ao presidente, o que mostra que a sequência da Veja é manipulação pura.
Assim, a sequencia correta é a seguinte:
1. O Gilberto se compromete a levar algum assunto (não se sabe qual) ao presidente Lula – dia 25/6/2008, às 18:00
2. A Christiane pede o apoio do Gilberto para convencer o Lula a indicar o Bandarra – dia 25/6/2008, às 21:53
3. O Gilberto não responde a esse pleito – se tivesse respondido, a Veja apresentaria esse email
4. A Christiane agradece a atenção do Gilberto, sem especificar do que se tratava – 8/7/2008
5. O Gilberto, cortesmente, diz que ficou satisfeito com a nomeação – 15/7/2008
Ou seja, se vc excluir a manipulação da Veja, não sobra indício algum de esquema para facilitar a máfia do Arruda e do DEM, a não ser a palavra de alguém que está respondendo a processos referentes à Máfia dos Sanguessugas e era ligada ao esquema do Durval Barbosa.
Lamentável o jornalismo da Veja!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

AO GOVERNO DO ESTADO DE ISRAEL


Copiado do blog "Brasil, mostra a tua cara!"

Nós somos os Anonymous.

Há muito tempo vimos tolerando seus crimes contra a humanidade e permitindo que seus pecados fiquem impunes.

Por meio de mentiras nos meios de comunicação, e de corrupção política, vocês conseguiram a simpatia de muita gente. Alardeiam ser democráticos, mas na realidade isso está longe da verdade. Seu único objetivo é melhorar a vida de um grupo seleto enquanto atropelam, sem cuidado, a liberdade das massas.

Mas nós enxergamos o que há por detrás da propaganda que vocês fazem circular nas principais mídias e [enxergamos também o que há por detrás] das pressões que vocês operam nas instituições políticas.

Seu fanatismo sionista já deslocou e matou um grande número de pessoas. Enquanto o mundo chora, vocês riem, planejando seu próximo ataque. Tudo isso é feito sob o disfarce da paz, mas a paz vem sendo obstruída desde o início de seu regime.

Vocês rotulam de antissemitas todos aqueles que se recusam a acatar suas exigências supersticiosas. E vêm dando passos rumo a um holocausto nuclear. Vocês são indignos de existir em sua forma atual, e, portanto enfrentam a ira dos anônimos. Seu império carece de legitimidade e por isso vocês precisam governar atrás de uma cortina de fraudes.

Nós não permitiremos que vocês ataquem um país soberano com base em uma campanha de mentiras.

Seu domínio sobre a humanidade enfraquecerá e o ser humano estará mais próximo da liberdade.

Mas, antes que isso aconteça, os povos do mundo se levantarão contra vocês e os tirarão do poder, com toda a sua riqueza. Nossa cruzada contra seu reinado de terror será feita em 3 etapas.

A primeira terá início após o lançamento deste vídeo e terá como objetivo removê-los sistematicamente da internet.

A segunda será revelada mais tarde e já foi iniciada.

Em relação à etapa 3, bem, pensem nela como um presente dos Anonymous a vocês.

Nós não vamos parar até seu Estado policial tornar-se um Estado livre.

Nós somos anônimos.

Nós somos legião.

Nós não perdoamos.

Nós não esquecemos.

Governo de Israel, espere por nós.”

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A FARDA EM FARRAPOS

Por Carlos Motta, no seu blog CRÔNICAS DO MOTTA:


A Polícia Militar é hoje uma das maiores ameaças à democracia que existem no país. Resquício da ditadura, atua como guarda pretoriana das elites mais retrógradas, agindo não para proteger a sociedade, mas de modo a preservar uma ordem que privilegia os ricos e poderosos.
Seus membros, formados na concepção de que o mundo se divide entre quem manda e quem obedece, entre os homens de bem e seus inimigos, ocupam o lugar que já foi, em tempos idos, daqueles jagunços abrutalhados que seguiam as ordens dos coronéis enfurnados em seus longínquos e inexpugnáveis feudos. Hoje, em lugar do rude gibão usam fardas vistosas, às quais são adicionados coletes à prova de balas, cassetetes high tech, sprays irritantes, pistolas e munição poderosas, rádios potentes e viaturas velozes. Impõem, numa população indefesa, não o respeito, mas o medo - o sentimento mais primitivo que habita o ser humano.
Aqui, no Estado mais rico da federação, a cada dia que passa a corporação se desmoraliza mais, se afunda mais em atos de brutalidade gratuita, em atentados violentos contra a dignidade e os direitos humanos.
A defesa para essa sucessão de infâmias cometidas nos últimos tempos é sempre o cumprimento de uma ordem superior. Um argumento sem nenhum sentido, já que existem muitas maneiras de se cumprir tais obrigações, várias delas perfeitamente capazes de zelar pela integridade física e psíquica das pessoas.
Agora, a sociedade se informa, estarrecida, dos acontecimentos na Bahia, onde os PMs não fazem uma greve, mas se sublevam, se amotinam contra as autoridades constituídas, instauram o caos e a destruição.
Tal episódio não pode ser tolerado. Tem de se constituir em exemplo para que, no futuro, os aventureiros, fardados ou não, pensem muitas vezes antes de agir.
Deve, ainda, servir para que as pessoas que detêm o poder neste país entendam que uma força policial não pode, em hipótese nenhuma, se julgar acima das leis pelo fato de ser treinada e armada para matar, e deem um jeito de mudar esse status quo, antes que seja tarde demais.
Policiais, civis e militares, são apenas servidores públicos, tem uma função específica, estão sujeitos a normas e regulamentos, a códigos de conduta, como quaisquer outros funcionários da máquina estatal.
São nossos empregados, seus salários saem dos impostos que pagamos com tantos sacrifícios. Uma farda é apenas um uniforme, não um passaporte para o arbítrio e a impunidade.
Por fim, uma pergunta ingênua: por que, na cidade de São Paulo, 29 das 30 subprefeituras são comandadas por coronéis reformados da PM?